"Minha Orquestra!”
Numa noite, fui à Sala São Paulo ouvir Mozart. Sentei no fundo do salão — nunca tinha feito isso. E vi.
De onde estava, vi cada músico com sua partitura. Sempre pensei que fossem como jograis: um texto completo, cada um sabendo sua parte. Mas não. Piano. Violinos. Metais. Únicas. E juntas, a música acontecia.
Cada linguagem, um instrumento. Minha orquestra.
O piano — intuitivo, sólido — minha voz interior. Meus desenhos sustentam o peso das ideias.
As palavras, o violino — persistentes, carregadas de emoção. Talvez seja o instrumento que mais toco.
As pinturas, as flautas: leves, coloridas, brincando com a imaginação.
Há também outros metais. Afiados, brilhantes, explosivos. Surgem quando experimento o branco e o preto, ou quando esculpo. E nas colagens — raras, intensamente amadas — onde elementos se juntam em texturas e ritmos.
Naquela noite pensei: cada expressão, um instrumento com sua partitura. Única e indispensável.
Meus desenhos são as pausas que procuro. As pinturas gritam — intensas — palavras e silêncios.
Minha orquestra. Para ler, ouvir, ver, sentir. Nada pronto. Nada definitivo. Tudo ainda por dizer.
Mas cada instrumento, juntos, sou eu.
Guil
Imagem "Efeito Borboleta — inspirado no artigo de Alexandre Chaves"

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